mort mot juste

novembro 26, 2006

dad was a drunkard, i am the messiah

the old man
preserved forever with a
black head of thick
vigor (that grins
still, after the villagers
have buried their dead)
lost sight of you
in another gulp of that distilled
liquor of his.

distinct gentlemen in fautless
cardboard posture
and well ironed linen
clap in metric at the end of your
displays. these are their remaining
verse lines.

you know when to tell your jokes.
your denture the whitest of all,
animal-sharp
your anecdotes come out
blatant
a quartet of loud trombones.
in the taphouse,
at the meetings
you pole the stage
spotlit
by the eager eyes of the idiots.

late night you roll over
for the cars to go
by, life has not payed you back.
and you have done so much.

you fail to recognize the morning.
the working girls service you
in exchange for the content of your
soaking pockets.

the word on your closest friends' lips
passing around like a pipe infected with
spit, a one time bride-they only speak
in cheap proverbs after the fifth glass-
that is our noble joe
like father, like son.

maria 2:29 PM 5 vociferando estavam

novembro 22, 2006

the coming of cherub

the towers slobber light:
we have our clouds wet.
it is dark and it is late
you almost lost your way.

we have waited for you.
we have loved your arrival
your mirage of a father
spoke quietly to himself
as the deserted land
prays -the season
warmly licks our cheeks,
we give its tongue
a dirty look-
and hopes for a downpour.

your small arms
move around clockwise.
there is no one around.
i hold you and say your name
and your large eyes impart;
born in december,
dead from the start.

you lean your fine nose
on your mother's chest.
the doctor fills my ears
with recommendation.
i watch a butterfly
out the window,
i wish you would chase it
and i would dry your eyes
when it flew away.

a kiss on your newly formed
lips without a tone
without a cry
my unborn son,
i now leave you to die.

maria 9:08 PM 4 vociferando estavam

novembro 20, 2006

the holy capsule

a delicate snake skin gently slides
through the warmest grassy land
earth bound children greet the day
with sacred laughter and with cries.

i see none of this: none of it
do you realize.
neither am i sleeping,
nor are you alive.

our veins now are goldfish roads
and the lakes are the home
of all that is dignified
passionate symbols there abide.
an effigy of the face of god
sputters deflected in our blood
-and the summer is a beast, and
the day bends embodied
inside me like a summer's ghost-.

maria 1:23 PM 3 vociferando estavam

novembro 13, 2006

o leitor me excuse, mas nossa programação normal retornará dentro de alguns segundos.

irrompemos
por decorrência do horário de verão
e de nascimento
e de morte
na publicação das exaustivas narrativas
os débeis e
quebradiços versos
de extrema relevância política
e informativa
detecta-se
longas extensões de terra
bombardeadas pelas
chuvas torrenciais
imaginadas e decididamente acontecidas
através
de caprichos inegáveis
das incompletas mulheres
que dos ladrilhos
(brancas,
do material
próprio
dividido
em veias cinzentas, diz
o repórter)
surgem:
não conheces ainda
a capacidade que tens
de me pôr
doente.

maria 6:46 PM 1 vociferando estavam

novembro 09, 2006

gentleman in nightclothes

In my bed, a falcon of deceit.

maria 2:28 PM 2 vociferando estavam

novembro 07, 2006

retalhos de 184 vidas

como poderia eu, sem ter visto o que vistes, escrever o livro que tanto quisestes, que tanto amastes?
ao teu lado tens a idade. que tenho eu? palavras ralas, breves anos, um volume fininho sem remate, e a vulgaridade dos mais novos e de nosso tempo.
o cenário de tua história não mais existe, os personagens pereceram. falta-te o vigor, em ocasiões dispersas te falha a memória.

creio que aqui cedo ao natimorto o privilégio de um suspiro: o mais miserável de todos.
acolhe-o no lote de teu peito destinado às ninharias de teus filhos.

maria 2:38 PM 3 vociferando estavam

novembro 06, 2006

bandeira, selo e mapa (três breves curitibanas)

25.42 S
curitiba, pinheiral: como deixá-la agora?
agora que é bela, que o céu é puro?
que seus telhados trilam ensolarados
agora que é casta manhã tardia
a escarrar à luz santas e vadias?

''a do meio''
abriga as ladras de métrica, os pombos
os insetos de aparência reflexiva
(as antenas tão altivas, é de se empertigar)
sob os tetos remendados de construções inativas
rói as vigas de madeira podre
rasga as roupas, grita, e chia.

49.29 W
as nuvens fugidas de guerra correm logo a outras partes.
janelas brancas emolduram
o desespero alegre das aves
velhas senhoras desconcertam-se em gritos
"o mundo acaba!" e acabou-se a água
pro inferno com a tua democracia!
que se exploda a última manchete.
a cidade nasce, e tal criança
chora com o primeiro ar do dia.

maria 1:32 AM 1 vociferando estavam



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